domingo, 25 de maio de 2014

Antigo

Pascoal (escrito na páscoa de 2012)

Ouçam-me, crédulos jactantes,
pregadores nefandos, padres senis,
semeadores da santa pusilanimidade,
eis me aqui, soberbo e arrogante,
a praguejar contra toda a cristandade!

Corja servil, aberrações
ambulantes de instinto gregário,
eis me aqui, altivo e ultrajante, a
cuspir na face do santo sudário!

Rebanho de acovardados, escumalha imunda
de moribundos, prostrados e degenerados!    
saibam que muito me excitaria a experiência
de brandir aquele inclemente chicote,
e fustigar o nazareno espezinhado!

Pois, aguardai vosso óbito,
senhora complacente, aguardai
o par de virgens alados;
seus numerosos pecados,
serão em breve perdoados;
seu corpo flácido já mobiliza
os vermes na terra alojados!

Apartai, por um instante,
vossa presença da autoridade
desse púlpito, crápula pregador.
Conceda-me, por favor, o ensejo
de solicitá-lo, polido pastor.

É que eu sinto que
minhas palavras não
agradarão a nosso senhor:

"Maldito sejas tu, ímpio,
insolente, petulante pecador!
Por sua alma maculada,
seu semblante perverso,
e seus discursos pecaminosos.

Por toda a afronta e
blasfêmia que seu discurso traz;
serás arrojado às labaredas, ao
olhar mordaz do velho satanás!"

Ó meu novo amigo, padre,
indulgente e protetor,
ajudai este ser errante, por favor;
como deverei proceder a fim de expiar
meus pecados, e me redimir com o criador?

"Segurai minha mão, irmão, e curvai teu
corpo ante a majestade de Jesus crucificado.
Demonstrai contrição, ante a potestade que
é Cristo, nosso salvador uma vez ressuscitado.
Ajoelhai e rezai, irmão rebelado,
e reverenciai o que
simboliza esse círio abençoado."

Padre, perdoai estes meus modos,
minhas pernas enregelam, não cedem,
recusam-se a reverenciar vosso deus impostor.
resigno-me a me afastar de vossa presença
indigna, ó irmão tão sapiente, sacro usurpador!




Nenhum comentário:

Postar um comentário